fotomontagem; Martha Rosler. Cleaning the Drapes (1967-72)

Fotomontagem – uma superação da representação da realidade

Fotomontagem – uma superação da representação da realidade

fotomontagem; Martha Rosler. Cleaning the Drapes (1967-72) in

Fotomontagem é um tipo de arte de colagem. Composta principalmente de fotografias ou fragmentos de fotografias, sua proposta é direcionar a mente do espectador para conexões específicas; muitas vezes, construídas para transmitirem uma mensagem de cunho político ou social, por exemplo. Quando feitas corretamente, elas podem ter um impacto dramático.

Ela é revolucionária por si só, pois oferece aos artistas a oportunidade de ir além da busca pela representação da realidade tal qual ela é. Em seus próprios termos, essa técnica oferece mundos novos, ou pelo menos, reinterpretados; promovendo novas visões e ideias.

Existem várias maneiras de construir uma fotomontagem. Muitas vezes, fotografias, recortes de jornais, de revistas e outros papéis, são colados numa superfície, dando ao trabalho uma sensação real de colagem.


A fotomontagem em seu contexto histórico

A utilização da técnica já era aplicada desde primeiros dias da fotografia. As imagens eram compostas por recortes, colagens e sobreposições de duas ou mais fotos. Algumas vezes, entretanto, havia a combinação com outro material não fotográfico, como textos ou outras formas abstratas.

Depois chamada de “impressão combinada”, a obra de Oscar Rejlander – um fotógrafo pioneiro, especialista nessa técnica -, foi, provavelmente, a fotomontagem mais famosa da história. Ela foi criada em 1857, tendo como nome The Two Ways of Life.

fotomontagem; Oscar Gustav Rejlander. Two Ways of Life,1857, printed 1920s
Oscar Gustav Rejlander. Two Ways of Life (1857), printed 1920s. Metropolitan Museum of Art.
Acesso em: https://www.metmuseum.org/art/collection/search/294822

Igualmente importante e famosa, Fading Away, de Henry Robinson, foi criada no ano seguinte.

Fotomontagem; Henry Peach Robinson. Fading Away (1858)
Henry Peach Robinson. Fading Away (1858). Metropolitan Museum of Art.
Acesso em: https://www.metmuseum.org/art/collection/search/302289

No final do século XIX, a técnica passou a ganhar vida, especialmente sob formas de cartões postais de aparência engraçada, que, geralmente, mostravam uma cabeça presa em um corpo diferente; ou, a confecção de criaturas estranhas e impossíveis.

No início da Primeira Guerra Mundial, a técnica ganhou seu primeiro impulso sob a liderança do movimento dadaísta de Berlim.

Outros trabalhos de fotomontagem não são flagrantemente colados. Em vez disso, os elementos são combinados para criar uma imagem coesa que engana os olhos. Uma imagem bem executada nesse estilo gera a dúvida se a obra é uma montagem ou uma fotografia direta.

fotomontagem; Oscar Gustav Rejlander. Hard Times (c. 1860)
Oscar Gustav Rejlander. Hard Times (c. 1860). Metropolitan Museum of Art.
Acesso em: https://www.metmuseum.org/art/collection/search/294781

Nessa obra, Rejlander mostra um carpinteiro desempregado sentado, curvado e preocupado, enquanto sua esposa e filho dormem. Nesta impressão, que o autor rotulou como “Uma foto espírita”, há sobreposição de uma segunda imagem – fantasmagórica – do carpinteiro colocando a mão na cabeça da esposa, enquanto a criança orava a seus pés.

Essa fotomontagem ultrapassa um cenário realista. Ela também lança uma reflexão sob as perspectivas da moral e da religião na arte.


Artistas dadaístas e a fotomontagem

Um dos melhores exemplos de trabalhos de fotomontagem são os do movimento dadaísta. Conhecidos como agitadores antiarte, os dadaístas eram caracterizados por se rebelarem contra todas as convenções conhecidas no mundo da arte.

Eles lançaram mão da fotomontagem como uma ferramenta de protesto contra a guerra e outras questões políticas do início do século XX europeu. Essa técnica artística ficou marcada como um exemplo de arte moderna vanguardista.

Cut with the Dada Kitchen Knife through the Last Weimar Beer-Belly Cultural Epoch in Germany, de Hannah Höch, é um exemplo perfeito de fotomontagem no estilo dadaísta, ou Dada. Ela nos mostra uma mistura de modernismo (muitas máquinas e material de alta tecnologia do período) e a “Nova Mulher” através de imagens tiradas do Berliner Illustrierte Zeitung, um jornal de circulação na época.

Hannah Höch. Cut with the Dada Kitchen Knife through the Last Weimar Beer-Belly Cultural Epoch in Germany (1919)
Hannah Höch. Cut with the Dada Kitchen Knife through the Last Weimar Beer-Belly Cultural Epoch in Germany (1919).
Acesso em: https://www.artsy.net/artwork/hannah-hoch-cut-with-the-dada-kitchen-knife-through-the-last-weimar-beer-belly-cultural-epoch-in-germany

A palavra “Dada” é repetida várias vezes, incluindo uma logo acima da fotografia de Albert Einstein, no lado esquerdo. Vemos uma dançarina de balé que perdeu a cabeça, enquanto a cabeça de outra pessoa levita logo acima dos braços erguidos. Trata-se de uma fotografia da artista alemã Käthe Kollwitz, a primeira professora nomeada para a Academia de Arte de Berlim.

Como vimos, a fotomontagem dos artistas dadaístas foi predominantemente política. Grande parte das imagens era proveniente da mídia de massa e divididas em formas abstratas. Outros artistas desse movimento incluem os alemães Raoul Hausmann e John Heartfield; e o russo Alexander Rodchenko.


Mais artistas adotaram a fotomontagem

A fotomontagem não se limitou aos dadaístas. Surrealistas como Man Ray e Salvador Dalí a adotaram, assim como inúmeros outros artistas nos anos seguintes a sua estreia.

Enquanto alguns artistas modernos continuam trabalhando com materiais físicos, recortando e colando, é cada vez mais comum o trabalho ser feito digitalmente. Com programas de edição de imagens como o Photoshop e fontes imensuráveis de imagens online, os artistas não estão mais limitados às fotografias impressas.

Man Ray. O Beijo (1922)
Man Ray. O Beijo (1922). Museum of Modern Art.
Acesso em: https://www.wikiart.org/pt/man-ray/raiografia-ou-fotograma-o-beijo-1922

Conclusão

Surgindo com a invenção da própria fotografia, a fotomontagem foi, em grande parte, apropriada pelos artistas dadaístas. Eles utilizavam essa técnica como ferramenta política, uma manifestação crítica ao contexto histórico e artístico me que viviam.

Artistas renomados como Man Ray e Salvador Dalí, também utilizaram essa técnica em suas produções; portanto, não tivemos um fenômeno excluivo dos dadaístas de Berlim.

Com um dos objetivos em criar uma nova interpretação da realidade, a cena é alterada para que vejamos a cena da forma que o fotógrafo deseja. Sendo, muitas vezes, possível o levantamento de reflexões e motivo de estranheza.

Atualmente, as representações físicas dessa manifestação fotográfica vem cedendo espaço aos efeitos utilizados no computador, haja vista a enorme disponibilidade de imagens na internet.


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Fontes

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